Falta de diálogo afasta qualquer um

Todos nós precisamos sentar e conversar

Conversar com as pessoas é sinônimo de grandeza (Google)

Normalmente quando falamos em diálogo nos veem a cabeça a imagem daquela mãe ou pai conversando pacientemente com seu filho sentado em uma poltrona confortável. Pensamos assim pois sempre nos remete a ideia de diálogo como se fosse uma cobrança ou bronca. Essa ideia permanece arraigada em nosso inconsciente até a vida a adulta, quando recebemos aquele recado em nosso trabalho proveniente do chefe “quero conversar contigo”.

Entretanto a conversa (ou diálogo) nada mais como uma forma de diminuir as disputas e alinhar pensamentos. Serve principalmente para desenvolver nossa capacidade de coordenar ações com base naquilo que falamos. Em outras palavras: se falamos, logo poderemos agir. Uma ação ocorre depois que refletimos, analisamos, ponderamos e depois compartilhamos ela por meio do diálogo.

A utilização do diálogo não vai somente no que tange ao planejamento de novas ações. Ele também pode ser utilizado como forma de aproximar a equipe em um pensamento comum, evitando assim distorções entre os pares. Por isso é tão importante nas organizações o diálogo, pois através dele se constroem pontes entre aquilo que a empresa espera e aquilo que o colaborador espera.

Ao momento que não dialogamos com o próximo não compartilhamos nossas dificuldades. De acordo com Lev Vygotsky a aprendizagem ocorre através de um processo social, onde crescemos como indivíduos por compartilhar nossas dificuldades e aceitar a ajuda externa. Assim, o diálogo se torna ferramenta fundamental para a transposição de obstáculos.

Ao momento que evitamos o diálogo não interagimos com o semelhante. Nos tornamos pessoas envoltas em nós mesmos, criando uma áurea de superioridade inexistente. Portanto é fundamental que venhamos a compartilhar nossas ideias e proposições, para assim ajustar sob o olhar do outro. Dessa forma se constituí uma sociedade empresarial ou uma aliança política, com muito diálogo.

Quando não ocorre diálogo

Ricardo Fabris, vice-prefeito de Caxias do Sul (Roni Rigon/Agência RBS)

Apesar de vitoriosa, a aliança entre o atual prefeito de Caxias do Sul Daniel Guerra (PRB) e Ricardo Fabris (PRB) não dava sinais de muito diálogo. Por diversas vezes Fabris queixou-se junto a imprensa de não ser compartilhado como ele informações sensíveis do governo. Até mesmo antes da escolha do secretariado o vice-prefeito sequer participou.

Relegado a posição de mero coadjuvante, Fabris tentou (sem sucesso) chamar a atenção do prefeito para seu descontentamento anunciando sua desfiliação do PRB, partido do prefeito. Depois de muito diálogo com as lideranças nacionais e estaduais do partido o vice-prefeito desistiu da saída.

Apesar do comentário de alguns dizendo que foi vencido pelo convencimento, creio que o vice-prefeito tenha sido fruto de um processo de diálogo constante. Em outras palavras, em momentos delicados se faz necessária a conversa, mesmo que infrutífera para construir e costurar pontes.

Com o passar dos meses o desgaste entre Fabris e o prefeito Guerra foi aumentando. Ocorre que havia sido prometido ao vice-prefeito espaço para trabalhar com a segurança pública. No entanto o mesmo foi negado meses depois, e detalhe sem nenhuma conversa.

Resultado dessa “desavença” entre vice e prefeito foi a falta de diálogo entre os dois. Se houvesse um momento em que pudessem dialogar entre si, mesmo com posições antagônicas, quem sabe poderiam construir uma relação amistosa e poder governar juntos. Como fruto resultou a renuncia do vice-prefeito, além de uma enorme mágoa que surgiu.

Falta diálogo com todos

Podemos observar que a falta de diálogo é comum para outros setores da sociedade. Casos complexos como uma possível greve dos médicos que atendem pelo SUS, ou a paralisação do transporte público, são frutos. Assim, mesmo que em lados opostos devemos conversar para aglutinar um consenso entre as partes.

Não devemos jamais fechar a porta da comunicação com ninguém, mesmo que este alguém seja adversário ou eterno crítico. Atitudes de não receber ou ignorar as pessoas torna mais complexa a aceitação de outras proposições futuras.

É necessário ouvir os setores da sociedade, é necessário conversar com as pessoas, é necessário criar pontes entre desafetos para assim ter conquistas maiores, não somente para si, mas para todos.

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